segunda-feira, 9 de julho de 2012

O presente



Faz anos que o caminhante anda pelo mundo,
Cruzando caminhos, cruzando vidas,
Encontrando outros errantes
Nas múltiplas existências que a vida permite.
Há tempo ele busca alguma terra,
Algum lugar pra chamar de casa.
Alguém pra dar tempero e cor aos seus passos.
Calos, bolhas e cicatrizes marcaram o caminho
e depois de tudo ele retorna ao princípio.
Inspirado em recomeçar.
Súbito, eis que surge um sorriso,
Um brilho de luz que não vinha do Sol,
Possuía luz própria.
Como um inseto inebriado, apaixonado,
O caminhante se entrega,
Se joga nesse abismo luminoso sabendo que voar é possível.
A plena sensação de flutuar numa corrente de ar ascendente
e ao mesmo tempo sentir os pés enraizando fundo numa terra boa.
Feliz, de mãos dadas a caminhar
Ele pisa suave,
mas seus passos são mais firmes do que nunca.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

O Equilibrista



Caminho oscilante equilibrando-me sobre este longo fio que se forma ao caminhar,
A certeza de para onde vou poucas vezes se mostrou nas agulhas tecelãs.
Inerte em pensamentos mal enxergo meus passos, mas de alguma maneira sigo.
Teço entre as nuvens meu fio e observo como as formas mudam perante meus olhos... ora aquelas que são flor viram tufão. Ora as que existem longe como um desejo, se fazem arco-íris perante meus olhos e quase posso tocá-las.
Em frente, a tempestade se forma bela e intransigente, mas hei de atravessar o mais negro céu cheio de trovões e relâmpagos que passam pertinho, só para ver o céu que está depois.
Diz o poeta que andando com fé nada poderá faltar, mas faço a minha fé transformar-se em imaginação e entre as palavras e pensamentos formo nuvens. 
O difícil nunca foi materializá-las em tempestades, mas fazê-las desaparecer quando começam a lançar seus ventos e desequilibrar meus passos neste fino fio.
Sem exatas intenções, outros equilibristas cruzam seus fios com o meu, alguns me dizem para olhar pra baixo e pensar na altura. Porém minha dúvida é se existe um céu depois deste. 
O chão sempre me pareceu limitado demais pra quem pode tecer o fio às alturas.
Para conceber as verdades por mim descobertas, quero conhecer as curvas das nuvens com meus dedos. No perfume da água quero embriagar meus sentidos.
Enquanto os astros me dizem a direção, sempre o nascente inocente às costas.
O poeta presente em mim faz-se contente quando o sol se poe e rasga o céu com suas cores lindas traçando o caminho ante meus pés.
É o meu sentir ganhando sentido.
Lá na frente o tempo, velho amigo, corre solto apressando-me.
Quanto mais tento alcançá-lo, mais rápido ele avança rindo de mim.
Sinto o cheiro de chuva, banho-me em tempestades, me aqueço aos primeiros raios de luz enquanto faço carinho nos carneirinhos que o dia traz consigo para enfeitar o céu azul.
Um caminhante do ar. Comigo, só o tempo e as frescas nuvens que molham meu rosto ao passar, minha vida é sentir o fio para não cair, é ousar os passos mais arriscados para viver mais. Eu sou imaginação convertida em vontade, sou o que desafia a gravidade das coisas, sou o que caminha no fio,  o equilibrista.

sábado, 15 de outubro de 2011

Cru


Cru,
Dentro do bosque escuro,
Cambaleante a caminhar...
Um torpor me causa graça,
Simpatia a sua tão ingênua
E intensa presença.
Minha curiosidade
Instiga o beijo
Que se transpões em carinhos
E no calor que briga contra o frio da madrugada.
Doce companhia até o amanhecer...

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Língua



Eu deveria mesmo é beijar teus lábios.
Deixar minhas enzimas transmitir
meus pensamentos, sensações e sentimentos.

Depois o louco sou eu,
não meus botões.
Ainda que sejam estes
os que me deixam nú
perante teus olhos negros.

sábado, 9 de julho de 2011

Prognósticos de uma vida plena



Navego entre meus pensamentos.
Estranhas voltas, elipses, espirais dimencionais,
Brotos de luz florindo em galáxias
e eu no meu barco a navegar
Tudo em volta cheira a cores.
Azul, amarelo, verde, lilás.
E o vermelho me convida pra dançar.
A pura sinfonia, no mais brilhante silêncio,
O puro, ser e estar na medida de um passo.
Um grupo de cometas a passear,  hora passam perto, ao meu lado.
E eu brinco, dou risada, vou pra lá e pra cá.
No meu barco de estelas,
Que avança solitário entre os planetas.
Fico bem, vou de passeio.
Entre os perfumes de Vênus e as auroras galácticas
Desenhando em plano ar com todas as cores sem nome.
Para amanhã  lembrar de tudo num sorriso.

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Cartas ao vento


Talvez você nunca entenda minha forma de querer,
Ou quem sabe minha forma de cuidar do nós...
Mas você deveria saber que ainda estou construindo nosso castelo.
Com o mesmo esmero de um artesão
Que sabe estar  fazendo a obra prima da sua vida.

Sei, que o destino prega peças...
E para resistir as tempestades infortunas
É necessário preservar o amor e a formula mágica que construímos, eu mais você
À base de clicks e momentos onde o silencio e os olhares diziam tudo.

Você é a poesia que flue do meu peito em palavras, imagens, intenções...
Você é o amor que rego todo dia ao acordar e antes de dormir.
eres o meu bem, o meu mal... meu carinho, meu etc e tal.

E que o medo das incertezas do caminho
Nunca nos impeça de alçar vôo
Pois não há nada mais importante
que o amor para nós que somo vivos.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

caminhante, o caminhar




Caminhante, não há caminho
Se faz o caminho ao andar,
São tuas pegadas o caminho
e desconhecido o que virá.