segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

O Equilibrista



Caminho oscilante equilibrando-me sobre este longo fio que se forma ao caminhar,
A certeza de para onde vou poucas vezes se mostrou nas agulhas tecelãs.
Inerte em pensamentos mal enxergo meus passos, mas de alguma maneira sigo.
Teço entre as nuvens meu fio e observo como as formas mudam perante meus olhos... ora aquelas que são flor viram tufão. Ora as que existem longe como um desejo, se fazem arco-íris perante meus olhos e quase posso tocá-las.
Em frente, a tempestade se forma bela e intransigente, mas hei de atravessar o mais negro céu cheio de trovões e relâmpagos que passam pertinho, só para ver o céu que está depois.
Diz o poeta que andando com fé nada poderá faltar, mas faço a minha fé transformar-se em imaginação e entre as palavras e pensamentos formo nuvens. 
O difícil nunca foi materializá-las em tempestades, mas fazê-las desaparecer quando começam a lançar seus ventos e desequilibrar meus passos neste fino fio.
Sem exatas intenções, outros equilibristas cruzam seus fios com o meu, alguns me dizem para olhar pra baixo e pensar na altura. Porém minha dúvida é se existe um céu depois deste. 
O chão sempre me pareceu limitado demais pra quem pode tecer o fio às alturas.
Para conceber as verdades por mim descobertas, quero conhecer as curvas das nuvens com meus dedos. No perfume da água quero embriagar meus sentidos.
Enquanto os astros me dizem a direção, sempre o nascente inocente às costas.
O poeta presente em mim faz-se contente quando o sol se poe e rasga o céu com suas cores lindas traçando o caminho ante meus pés.
É o meu sentir ganhando sentido.
Lá na frente o tempo, velho amigo, corre solto apressando-me.
Quanto mais tento alcançá-lo, mais rápido ele avança rindo de mim.
Sinto o cheiro de chuva, banho-me em tempestades, me aqueço aos primeiros raios de luz enquanto faço carinho nos carneirinhos que o dia traz consigo para enfeitar o céu azul.
Um caminhante do ar. Comigo, só o tempo e as frescas nuvens que molham meu rosto ao passar, minha vida é sentir o fio para não cair, é ousar os passos mais arriscados para viver mais. Eu sou imaginação convertida em vontade, sou o que desafia a gravidade das coisas, sou o que caminha no fio,  o equilibrista.

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